A independência da criança canadense

Eu trabalho em uma loja que tem uma área destinada as crianças e aos pais. Sempre que estou nessa parte da loja observo muito o comportamento dos pequenos canadenses. Além de muito fofos (não aguento as botinhas, casacos e luvinhas dessa época do ano) percebo que eles são educados para terem uma independência maior.

Muitos chegam na loja andando livremente. Não tem muito isso de andar de mãos dadas com os pais. Se a criança for um pouco mais velha já vi casos em que a mãe ou o pai permitem que ela fique nessa área da loja enquanto eles dão uma volta pela parte dos adultos. Ficou um pouco impressionada com essa liberdade toda! Lembro que quando era criança minha mãe não largava minha mão por nada nesse mundo.

Outra coisa fofa é a interação com os funcionários da loja. Eles chegam no caixa e perguntam o preço das coisas, se podem fazer pedidos no site e terem o produto enviado pra loja, perguntam o quanto ainda têm no gift card e por aí vai!

A interação entre irmãos é muito fofa também. Outro dia vi uma irmãzinha empurrando o carrinho de bebê do irmão e quase fui lá evitar um possível tombo hahaha Ela tava no modo 100% velozes e furiosos. Também é comum ver irmãos conversando sobre dinheiro e o quanto eles ainda têm na carteira. Sim, a maioria das crianças que aparecem na loja tem uma carteira. Os pais tentam sempre incluí-los na hora de pagar, ensinando como usar o cartão, como conferir o troco e como interagir com os vendedores. Toda vez que eles vão embora sem dizer obrigada o pai ou a mãe logo falam “Não tá esquecendo de nada? Diga obrigada para a moça!”.

No geral, percebo que a educação do povo daqui vem desde o berço mesmo. Claro que nem todo mundo é um poço de simpatia ou educação, mas a maioria das crianças são sim muito independentes e educadas.

 

A polêmica “Baby It’s Cold Outside”

Recentemente algumas rádios aqui do Canadá resolveram banir uma das músicas mais tradicionais de Natal. O motivo da decisão foi o fato da letra conter trechos que podem ser interpretados como um episódio de assédio sexual. Leia mais sobre aqui.

Acredito que o caso chamou atenção justament por ser um tipo de música que não deveria conter duplo sentidos. Sabemos que o rap Norte Americano e o funk Brasileiro são bem explícitos em relação a suas letras. Escuto os dois gêneros, mas acho sim que algumas letras não só poderiam, como deveriam ser questionadas. E é aí que tá a diferença.

Percebo que aqui as coisas são mais questionadas. Mesmo tendo muita gente que vai achar “bobagem”, “falta do que fazer”, “mimimi”. A proibição dessa música nas rádios só me mostrou que eles querem deixar cada vez mais claro que a tal da cultura do estupro não tem lugar por aqui. Na verdade não deveria ter lugar em cultura nenhuma. Um dia chegaremos lá!