Não. Eles não fazem ideia.

Em 2015 quando tive que dar “até logo” pra minha vida no Canadá e para o meu então namorado eu chorei. Chorei muito. Mas não porque ia ter que ficar longe, mas por saber que nunca estaria completa novamente. Lembro demais que em meio ao meu choro ele me falava, “Vai ficar tudo bem, Luana! O Tempo vai passar rápido”. E foi aí que eu precisei respirar fundo e explicar qual era o real motivo da minha tristeza: a sensação de que eu nunca estaria com todas as pessoas que eu amo ao meu lado.

Essa sensação ainda me persegue um pouco. Mas entendi que eu não tinha saída. Se eu ficasse no Brasil sentiria falta dele e do Canadá. Na expectativa de criar minha própria família no futuro decidi apostar no meu relacionamento e na minha vida aqui. Foi fácil tomar essa decisão? Não. Na verdade é uma decisão diária. É acordar e se sentir em paz mesmo estando longe de tudo aquilo que significa “lar” pra você. É tentar se encaixar numa cultura que não é a sua, mas vai passar a ser. É descobri seu lugar favorito na cidade nova. É provar novos sabores e culinária. É não entender a piada porque ela simplesmente não remete as referências que você tem. É sentir um calorzinho no coração ao escutar sua língua nativa na rua. É se sentir meio lá e meio cá. É constuir uma nova identidade. É recomeçar. Renascer.

A escritora Canadense Rupi Kaur definiu todo esse sentimento no poema chamado “first generation immigrant”. Ela nasceu na Índia e veio morar no Canadá ainda criança. Olhando as fotos dela eu me pego imaginando um futuro em que um dia eu terei uma filha que terá o mesmo orgulho das suas origens quanto ela parece ter. Uma filha que vai gostar de açaí e de panqueca com maple syrup.

1dd8f2350eebf5ad10482506c49e9932

Por enquanto continuo na jornada de reencontrar meu espaço no mundo.

O dia que eu perdi um pedaço da língua

Título assustador né?! Mas calma, deu tudo certo!

Tudo aconteceu em Janeiro de 2015, na semana mais fria do ano. As pessoas comentam que aqui no Canadá é assim, o começo do inverno é tudo lindo, clima de natal, ano novo, tudo maravilhoso! Mas é só virar o ano que o inverno chega na sua segunda fase, a fase do: “Tá bom frio, JÁ DEU!”. E foi justamente nessa fase que o a minha inocência de menina brasileira me custou um pedaço da língua hahaha!

Lá estava eu, chegando em casa depois da aula, toda empacotada! Tão empacotada que a luva não deixou eu abrir a porta de casa. Parecia que a chave não tava encaixando direito, e aí meus amigos, sem pensar duas vezes eu tomei a terrível decisão de colocar o chaveiro na boca pra tirar a luva…

*1 minuto de silêncio pra esse momento único na minha vida*

Sim, meus queridos, o chaveiro grudou na minha língua. E o pior de tudo foi a minha reação. Eu puxei o maldito com tudo, e como vocês podem imaginar o gosto de sangue tomou conta da minha boca.

 

tongue

Um dia contando essa história para meus sogros eles me mostraram o vídeo de uma cena parecida com essa situação que vivi de um filme chamado “A Christmas Story”. E claro, eles riram bastante e me alertaram pra que eu nunca mais faça isso! Bom, acho que nem preciso desse alerta, aprendi a lição!